14 de dez de 2007

FOI POR ENGANO

FOTO: J.Machado - Horizonte - 2006

Por engano, você pensou que estava infeliz.
Na verdade as lágrimas eram de alegria.
O sorriso discreto e efêmero,
apenas revelava minha timidez.
...
Por engano, você pensou que sumi.
Na verdade me consumiam aos poucos.
Não queria nunca de você desaparecer,
apenas não me lembrei, naquele momento, de viver.
...
Por engano, você pensou que de ti me esqueci.
Na verdade nunca te apaguei de minha memória.
Nunca apaguei você de lugar algum.
Impossível, inadmissível e não quero.
...
Por engano, você pensou que fosse ingrato.
Na verdade você é meu maior presente.
O sol que um dia brilhou austero,
na desorientação daquele horizonte sombrio.
...
Por engano, você pensou que eram tristes meus versos.
Na verdade uns o são, outros não.
A tristeza inspira belos versos,
e eternizam sentimentos inconstantes.
...
Por engano, você pensou que eu não era o mesmo.
Na verdade não sou o mesmo.
Os dias me mudam a cada aurora.
Sou o mesmo em versões revistas e atualizadas.
...
Na verdade e nunca por engano.
Apenas e em versos alegres e certeiros,
sou o mesmo, mudado e em mudança,
o desaparecido que nunca deixou de te amar.

Um comentário:

  1. Juca,

    Seu poema me lembrou Clarice (que eu adoro):

    "A felicidade aparece para aqueles que choram.
    Para aqueles que se machucam.
    Para aqueles que buscam e tentam sempre.
    E para aqueles que reconhecem a importância
    das pessoas que passam por suas vidas"
    [Clarice Lispector]

    Quando lêem o meu blog, me perguntam se eu sou uma pessoa triste. Sou triste e alegre em doses inconstantes, em momentos variados.

    Mas sinto que, cada vez mais, precisamos nos permitir ser tristes, porque só a tristeza, perceber a dor, nos ajuda a resgatar a nobreza da vida.

    Muito bom o poema, principalmente nas três estrofes finais.

    Abração!

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