24 de fev de 2012

EVOQUE



Agora abusei das reticências......................................

13 de fev de 2012

SÓ NA ESTICA

Lá vem ele, todos se aprumam e endireitam a postura.
Num terno tão bem cortado, que deixa o senhor Zegna no chulé. Um mocassim envernizado e coerente, que seu Almeidinha teria inveja.
Ao adentrar no recinto, nota-se uma tira colo estruturada de couro marrom, de tanto bom gosto que merece uma pausa (...), e alguns vários comentários invejosos dos tipo: "quero igual", "é nova?", "quem lhe deu?" e por aí vai.
Senta-se humildemnte, relaxa as pernas após uma manhã recreativa de bike indoor, hipertrofia e alongamentos.
Trabalha longamente, retira da bolsa todos os is, ipod, ipad, imac, e uma maçã pra comer.
É bem relacionado e um bonvivant. First class com os tops.
Quase um político, aonde vai é reconhecido. Melhores propostas, mais metas, mais dividendos.
Restaurantes finos, o Vecchio, Dom, Bouloud, bodegas do coração ou mesmo o carrinho de cachorro quente são os melhores para se comer bem, junto com algum drink refrescante. Petiscos saudáveis, barras de aminoácidos, um termogênico qualquer e uma fruta.
Se de sol, somente Saint Tropez, Ibiza, Cancun ou Capri. Inverno em Aspen ou nos alpes suíços.
Pontualidade zero, a quem um instante é igual a duas horas. Mas é uma pessoa generosa, agrada fácil a quem com ele convive. Altruísta, é capaz de retirar a própria roupa e dar pra quem passa frio. Só não compartilha o copo de cerveja.
Figurinha admirável.
Interminável.
Impossível.
O tempo todo, só na estica.

29 de jan de 2012

A MENINA DO BEIJA FLOR

Lá vai ela, formosa e rebolante pelo calçadão de Ipanema.
Cintura fina e quadril largo, pele alva e forma esguia, uma volúpia que Deus lhe deu. Vai a menina de atitudes firmes e sorriso silencioso e fácil, sob o sol a lhe iluminar. 
Decidida, viajada e viajante, tem medo de avião. Segue ela, com seus cabelos curtos, agora cor de fogo, a combinar com seu imenso coração.
Quase uma atleta, corredora e fisiculturista iniciante e que, por vezes, se desconcentra facilmente com as belezas da natureza, que insistem em tocar a maciez de sua pele aveludada.
Lá vai ela, decidida pelas ruas da cidade maravilhosa, desperta olhares. Admirável mulher, grande cuidadora de todos e dos seus, intensa em tudo que faz, mas frágil, doce e desejosa veladamente. 
Ela tem um beija flor e borboletas de estimação que se aproximam dos ramos que crescem sobre sua pele, as estrelas lhe tocam, um ser único e quase mágico, mas autêntico.
Tudo dito, atributos infinitos e defeitos a desvendar, segue ela, menina bonita, pelas areias a caminho do mar, aonde, sob um guarda sol com sombra magistral, estende sua canga nova e rega as curtas madeixas com água mineral.
Então vai menina, vai e experimenta pelo menos uma vez tomar um bom banho de mar.



A VIDA DO URSO POLAR


Já vou adiantando, não é documentário do Animal Planet e nem do Discovery, e nem nada que se assemelhe a magnífica vida dos suricatos nas savanas africanas.
É só o velho urso polar que ataca novamente.
Foi a estréia, depois a revolta e agora a constatação. Uma trilogia, agora já no terceiro filme, de um urso que constata estar tudo a mesma coisa. Já hibernou, entendiou-se, gastou uns três tubos de pasta de dentes, acreditando que o fim do mundo estivesse próximo.
Ficou paranóico e chato, fez terapia e acha que se curou.
Uma coisa ainda continua, senhor urso odeia as gazelas oligofrênicas. Quer matá-las todas!
Ficou mestre na criação de cascavéis com os mais diversos venenos, soníferos, alucinógenos ou simplesmente venenos mesmo...talvez pra matar as gazelas.
Seu urso anda mais impaciente, talvez intoxicado pelo veneno de suas cascavéis, seus companheiros de toca o tem taxado desta forma.
Seu urso perdeu o medo das borboletas. Tem andado muito em meio a pavões, e até apreciado o comportamento deles. Adora um espelho, perfume e gel modelador para seus pêlos.
Passou a temer gente, tem ficado anti-social. Gosta de ficar na toca, odeia filas, e tem trocado as mais badaladas festas pelas gélidas e solitárias águas polares.
Virou um vegetariano, avesso ao álcool e quer que todos comam bem.
Acho que o senhor urso polar está envelhecendo, tem se retirado aos poucos dos palcos e das batalhas por território, faz seus check ups com mais assiduidade, mas teme com horror a colonoscopia.
Tem preferido mais uma casa com pomar e churrasqueira à sua toca coletiva.
Percebo que seu urso polar nunca mudou, apenas cresceu e selecionou o que lhe é melhor. Continua o velho gigante amendrontador e frágil de sempre, desejoso e sonhador, possessivo, mas cuidadoso.
Estressado com 2012, seu urso polar, por estar mais seletivo, comprou um monte de tubos de pasta de dentes "Sensitive Whitening", pra que, se caso o mundo acabar, esteja com hálito puro e dentes brancos.

26 de jan de 2012

DONA VOVÓ, DINDINHA!

Desde pequeno é a figura mais presente em todos os meus pensamentos, em todos os meus "flashes" de memória. Sempre que penso em Turmalina, a primeira imagem que me surge à mente é a de Dindinha.
Na infância, os longos desjejuns com pão assado no forno a lenha de casa, biscoitos de goma e grosso, além do café com leite e farinha de milho, a que eu saudosista chamo de "popô".
Férias de julho, festa do Divino Espirito Santo, o baile, o Reinado, a missa. As intermináveis férias de dezembro, tinha de tudo, banho de ribeirão, idas a pé às roças próximas, brincadeiras no porão da casa de vovó Joana. Adolescencia na Praça da Matriz, nas festas do Campestre e do Correntão.
E no final de tudo isso, ao retornar pra casa, o colo mais procurado era o dela, de dona Joana, apelidada de Dindinha por todos os netos. E independente de que hora fosse, era um quitute saborosíssimo.
Ultimamente, eu me afastei um pouco destas minhas raízes, andei desiludido com os fatos, atolado em trabalho e descrente no futuro, e por fim acabei saindo a francesa. Mas confesso e admito de muito bom grado, que é tão bom voltar a este convívio.
Em dezembro, eu ganhei o melhor presente de todos, um Natal perfeito. Em família, com todo mundo junto, conversando, fazendo amigo oculto, rezando, comendo. Tinha uma árvore de Natal linda, com centenas de presentes aos seus pés.
Tive algumas surpresas marcantes, a maior delas foi ouvir meu tio Lulu, sábias e bem colocadas palavras, suaves, mas assertivas e magnificamente apropriadas para o momento. A música e o choro do Téo, que emocionou a todos. Não devo deixar de contar o esmero da minha Madrinha Marciana em cuidar pra que tudo saísse perfeito...e ficou mesmo, de acordo com o meu mais exigente julgamento. E por fim, vamos definí-la como uma força motriz organizadora, uma idealizadora, pra que tudo ficasse harmônico, apesar de toda a algazarra. Tia Mércia, é ela que evita a formação de grandes furacões em casa, através da distração com pequenos tornados.
No topo disso tudo está Dindinha, minha avó do coração e da alma, apesar de sua incipiente surdez, tem os ouvidos mais aguçados e que levam a formação de palavras e gestos mais reconfortantes nos momentos mais tumultuados. Eu sempre brinco que ela é a melhor psiquiatra do mundo, de graça, e com resultados certos e só minha.
Foi impagável vê-la feliz, dando altas gargalhadas e se divertindo como nunca.
Foi uma noite de regozijo, fartura, bons vinhos e lautas refeições, tinha alegria, grandes promessas, doces surpresas, mais bisnetos chegando, mais gente pro Natal que vem.
Nesta noite eu fui dormir aéreo, leve e relaxado, feliz.
Sem dúvida, esta foi uma das noites mais felizes da minha vida!


Estes somos eu e Dindinha!