10 de jun de 2009

NOSSOS PÉS FERRADOS

IMAGEM: Site da SBMCP


Tento ser poético com a dor.
A minha agora de tão forte, enriquece minha tragicomédia.
Desta vez, uma dor de verdade, aquela que dói mesmo.
Que faz chorar de dor sentida, não inventada.
Doeu demais...bem no auge e com platéia.
Meu tombo assistido e minha entorse aplaudida.
E como doeu...
Na hora pressenti que dessa vez seria diferente.
...
Pisar era uma proesa.
Em minha viagem solitária, vi meus ossos.
Aquele pontinho branco anunciou um veredicto.
Meus pés ferrados.
Repouso, gelo e uma bota...logo eu.
Maior que minha dor, foi a tristeza de ninguém tê-la visto.
Amuado, vão-se os pés e ficam as botas.
Agora é esperar.
...
No fim da noite, quando tudo parecia perdido.
Ela me aparece com uma surpresa.
Nossos pés estão ferrados, mas isso passa, ela disse.
E antes passar mal só, do que ter alguém pra piorar.
O coração desanuviou...foi meu alento.
Pensei nos pés descalços cronicamente doídos.
Olhei minha dor aguda e minha bota nova.
Nossos pés estão ferrados, mas são imensamente fortes.

3 comentários:

  1. Juca,

    Descobri que além de ajudar um amigo a enfrentar a sua dor com coragem, esse poema está próximo da crônica, e isso me deixou ainda mais feliz.

    Os nossos pés ferrados, que calçam sapatos pesados ou botas otopédicas ainda vão nos conduzir a belos lugares.

    Andando devagar também podemos chegar aos sonhos.

    Beijos e bom final de semana!
    Carol

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  2. Oi Juca,

    Cadê você?

    Espero que esteja tudo bem!

    Beijos e saudades,
    Carol

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