2 de jul de 2008

RELEMBRANÇAS

FOTO: Site Google

Enquanto segue, ele relembra os velhos tropeços, as agruras e as manhãs de gosto amargo, companheiras de outrora que voltaram à tona.
O pobre diabo descobriu - ou apenas relembrou - que esta é a sua essência. O veneno de sua alma, antes latente, agora lança sua toxicidade como nos velhos tempos.
É quase agosto.
Ah tardes frias, ocasos rosados e dias intermináveis! Madrugadas insones, excessos e fúria, calmarias mascaradas pela ressaca das marés.
Tantos e tão só. Velhos e tão distantes. Saudoso, nostálgico e melancólico. A inspiração desaparece no horizonte reto, agora escuro. O que há de novo é o antigo remixado, as frases de sempre e as encardidas sílabas agora invertidas.
Ordinário silêncio que lhe dói o peito. Felicidades efêmeras que, de tão curtas, não lhe causam sequer um esboço de sorriso de canto de boca. Ninguém sabe o que ele quer, dizem ser ingrato, dizem ser confuso, dizem ser apenas o cansaço.
Segue só, na companhia da solidão. Pensa em nada, pensa em tudo, esquece do presente e revive o passado. Futuros do pretérito.
Desconsiderado. Relembra que escrever lhe ameniza a dor de não se sabe o quê. A dor que não dói.
Mágoas em álcool, calmantes, dias cinzentos...refugiado em uma casca frágil.
Ele navega a deriva, num mar de águas profundas, longe da terra firme. Continuam os desejos e as ilusões.
São novos dias, velhos novos dias com as relembranças de um passado ainda presente.

Um comentário:

  1. Amigo bloqueiro!

    Quanto tempo!
    Andei afastado daqui, as letras por vezes me incomodam - não as suas, em absoluto, as minhas mesmo...

    Seu blog continua ali, nos meus favoritos, estou sempre à espreita.

    Esse post merece todo crédito! Como sempre nossos sentimentos são muito parecidos... Relembrança! Só isso diz tudo, não é?

    Então vou fazer como antes, selecionar um fragmento das suas letras que poderiam falar por mim:
    "O que há de novo é o antigo remixado, as frases de sempre e as encardidas sílabas agora invertidas."

    É isso, sem mais nem menos.

    Abraço grande, meu amigo.

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