Última Ceia de Leonardo da Vinci
Desde há muito tempo, esta imagem é alvo de polêmicas. Lembro-me de, quando criança, a vir na cozinha da minha avó, naqueles moldes em bronze que se compram em lojas paroquiais. Sempre achei que remetesse à ideia de refeição, de um local para almoçar ou jantar, sem nenhum significado a mais. Pra ser sincero, mergulhado em meu mar de ignorância, achava sem graça. Pra quê um bando de gente se juntaria pra comer pão e não beber nada?
Há alguns anos descobri que ela possui inúmeras simbologias tipo "Sagrado Feminino", falo rudimentar e o Cristo humano e amante. Mas é apenas uma pintura? Não estarão forçando a barra? Será que o Da Vinci escreveu tudo isso? Minhas dúvidas me divertem.
O que intriga e impressiona, são as várias interpretações dessa pintura. Incrível é a divertida versão que representa um grupo de amigos em uma conversa na padaria. Todos bem humanos, com suas conversas truncadas e de duplo significado. Ainda dói o quê? Jesus não multiplica apenas pães, mas também quindins e talvez brigadeiros.

Versões de cartoons em seus ambientes de convivência são comuns. Homer Jesus Simpson brindando com cerveja e Cristo Mickey regendo um bando patetas são versões interessantes, mas não mais que engraçadas. O balcão do bar do Moe é a mesa da Santa Ceia. Seria o balofo do Barney a Maria Madalena? Aonde Disney estava com a cabeça ao transfomar um rato em uma figura bíblica? Deve ter consumido um caminhão de entorpecentes.

Gosto demais das reinterpretações, o povo viaja mesmo. Arte ou não, o objetivo sempre é chocar. Veja o exemplo recentíssimo do Fernando Bayona. Fotografou a sequência da "Vida e Morte de Jesus Cristo" em situações que remetem a prostituição e homoerotismo. Um personal Jesus popstar democrático desvairado, dá até pra musicar a cena com a melodia sexychic do Depeche Mode. Era previsível que a sua exposição, mais que apropriadamente batizada de "Circus Christi", fosse cancelada em sua primeira semana na Espanha.



E para finalizar, as versões extremas políticosociopatológicas completam a obra do acervo de aberrações da raça humana. As ninfetas esquálidas e suas quase ceias semanais de água e melancia nas campanhas publicitárias que promovem não se sabe o quê. Os obesos de vácuo interno infinito, filhos de pais cegos, em suas mega ceias repetidas diárias, com milhares de calorias acumuladas num estoque pro fim dos tempos. E aqueles, também esquálidos, esquecidos e esqueléticos, num número de 1,02 bilhão, que vêem numa melancia com água um banquete, mas que nunca tiveram verdadeiramente a sua ceia, nem sabem o que isso significa e provavelmente jamais saberão.
Então Senhor, rogai por nós humanos pecadores glutões ou anoréticos, agora e na hora de nossa última ceia. Amém!