Foram trinta segundos que pareciam uma eternidade,
nem a menina dos céus me valeu de alguma coisa.
De uma relativa calmaria e o alívio de estar chegando,
a uma trepidação súbita e um ruído ensurdecedor.
...
Nunca vi isso meu Pai.
...
Enraizei na cadeira.
Do lado de fora, somente relâmpagos e nimbus.
A altitude se reduzia rápido, o aperte o cintos se acendeu.
E a voz a avisar, área breve de instabilidade.
...
Instabilidade o cacete, estamos é caindo.
E a cair estavam as revistas e algumas garrafas.
Tripulação, pouso autorizado...aonde?
Enquanto isso minhas tripas reviravam e quase virei do avesso.
...
Não quero sentir dor.
...
Lembrei dos amigos que viajaram comigo, dos vexames.
Da sudorese nas mãos, quando não consegui abrir o maravilhoso "mix nuts".
"Mamãe, por que o moço treme tanto?"
Dois litros de rivotril placebão no capricho e uma Xingu gelada.
...
Não me lembro do que mais pensei.
Pqp, Jesus nos acuda.
E o outro, "estamos caindo mesmo?".
Nada, era realmente uma nuvem de chuva.
Cheguei inteiro, assumo minha trajicomédia aeroviária.
Tu és um cagão mesmo hein rapaz.
30 de nov. de 2010
29 de out. de 2010
URSO POLAR - A MISSÃO
O velho urso polar, ser naturalmente cordial, mas conhecedor dos mais diversos venenos e portador de uma cegueira seletiva ocasional e recorrente, ultimamente anda preocupado com sua atrofia cerebral.
Acamodou-se após comprar um tubo de pasta de dentes pra evitar a halitose caso o apocalipse chegasse. Entediadíssimo, voltou a se irritar com o grasnido reverberante dos animais com quem era obrigado a conviver. Sua frustração o fez abusar da cafeína e dos calmantes. A impaciência fusilava o que estivesse no seu campo visual.
Atinou-se, estaria caducando?
Próximo dos enta, pupilo de Balzac como sempre se orgulhava em dizer, temia neuropatias degenerativas e cefaléias hidrocefálicas normotensivas. É uma pena não ser burro, assim não sofreria tanto.
Quase sem direção, jogou xadrez e sudoku e abusou de antioxidantes. Seu oráculo lhe dissera fazer bem. Desisitu no meio do caminho, como o fez com o Mundo de Sofia, só que na página 35.
Eita Pai do céu, ai mãe natureza, o que se há por fazer? Senhor urso queria ser inteligente o suficiente pra saber. Na última vez, um tubo de pastas de dentes resolveu.
Lança chamas? Um super truck? Gás mostarda? Até riu de tão absurdos.
...
Por fim, assumiu sua loucura, comprou um par de tênis, uma revista de futilidades e um GPS e sentou no banco da praça. Esperava apenas que não fosse notado e levado pela primeira carrocinha que surgisse.
...
E que Deus me livre de tanta asneira!
Próximo dos enta, pupilo de Balzac como sempre se orgulhava em dizer, temia neuropatias degenerativas e cefaléias hidrocefálicas normotensivas. É uma pena não ser burro, assim não sofreria tanto.
Quase sem direção, jogou xadrez e sudoku e abusou de antioxidantes. Seu oráculo lhe dissera fazer bem. Desisitu no meio do caminho, como o fez com o Mundo de Sofia, só que na página 35.
Eita Pai do céu, ai mãe natureza, o que se há por fazer? Senhor urso queria ser inteligente o suficiente pra saber. Na última vez, um tubo de pastas de dentes resolveu.
Lança chamas? Um super truck? Gás mostarda? Até riu de tão absurdos.
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Por fim, assumiu sua loucura, comprou um par de tênis, uma revista de futilidades e um GPS e sentou no banco da praça. Esperava apenas que não fosse notado e levado pela primeira carrocinha que surgisse.
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E que Deus me livre de tanta asneira!
23 de out. de 2010
FUTURO DO PRESENTE
Redimo-me já, pois não resta vivalma. Sigo vivendo sem pausas, com a intenção de ser sempre intenso, como se o fim se aproximasse a cada dia. Transcrevo desejos e admito a sua simplicidade complexa.
Quero continuar até o fim dos dias a ter o mesmo amor no trabalho. Não que eu queira morrer trabalhando, mas que pelo menos este não me seja tedioso. Quero curtir os louros sempre. Quero ter tranqüilidade em pedir e ter colo novamente, a ser a criança grande e aguda, mas o filho como sempre foi. Quero tanto!
Um dia, que Deus me ouça rápido, desejo ser esperado na porta, com um oi saudoso e um forte abraço ao entrar. Dividirei problemas e contas, assumirei as rotinas e serei o rei mais feliz do mundo. Verei caras sombrias e sentirei apertos angustiados no peito, mas estarei calmo e certo de que eles vêm e vão sempre. Só não quero pisar em ovos.
Terei um cachorro e espaço pra que ele não se sinta claustrofóbico, numa casa com sacada, grandes janelas de vidro que emolduram um pôr do sol ou uma desarmônica selva de concreto. Terei vizinhos com calçados de solas de borracha e controladores de volume vocais. Andarei na minha bicicleta e nadarei todos os dias.
Serei mais altruísta e, mesmo que absurdos, quero filhos. Ainda tenho motivos pra acreditar que são grandes possibilidades de agradáveis companhias e de doces surpresas, e remotamente talvez, quem sabe, a garantia de um futuro longe do mais completo abandono.
Lista de presentes!
19 de out. de 2010
pH 6
Desacredite de que sempre será a primeira vez, e de que toda primeira vez será pra sempre.
Incentive a insônia por temer que o tempo voa ao dormir. Sua dor no peito, pode não ser apenas pela bolada do futebol ou pelo soco do recreio. Faça planos, incluindo um de saúde.
Incentive a insônia por temer que o tempo voa ao dormir. Sua dor no peito, pode não ser apenas pela bolada do futebol ou pelo soco do recreio. Faça planos, incluindo um de saúde.
Suas poluções, são as incontinências. Ah símio vil descascador de bananas.
Não queira mais ter a razão. Assumir a culpa acalma a fúria. Analise, critique, nunca seja impulsivo. Beba, coma e aja com moderação. Se emburreceres, que fique sem movimentos nas mãos, fique mudo ou pelo menos finja-se de morto.
Sua mãe tinha razão quando lhe dizia pra nunca aceitar nada de estranhos. Com o dinheiro da mesada, compre ou crie seus próprios conselhos.
Cale-se, tenha audição seletiva e modos polidos. Obedeça os mais velhos, mas dê um soco quando a razão sumir. Peça de dia das crianças um lança chamas da Glaslite e um Aquaplay pra apagar o incêncio. E quando o saco encher, Pense Bem e suma no seu Pogobol.
29 de jul. de 2010
VELHA AMIGA
Quando tudo estava no mais completo sossego e o futuro certamente perfeito, você me aparece. Agora somente pra relembrar da minha ínfima condição humana. Foram relembranças e lamúrias mil, quilos de recibos e tardes de segunda a fio.
Você não me deixa.
Nunca me deixarás. Será?
Ah poeta insano e de pretensioso muito tenho se me autodenominar assim. Relembrei-me como sou e o que anseio. Doçura, clareza e desejo, aos montes. Gravações, em cada uma, um desejo de ser único, marcante, inesquecível.
Será que vou dessa vez?
Será?
Apenas diga sim, é como deveria ser. Mas você me faz querer mais além de um sim. Simples sim, simpatia, simbiose, símios. O sim é um mero prefixo, combinação. Sim simplesmente, sim puramente.
Quero que o mundo pare.
Que tudo dê certo.
Sinto uma dor e uma náusea, tenho medo de que o fim chegue, que eu não chegue até o fim. O coração palpita, galopa e titubeia. Temo que este seja um poema de despedida, que eu não volte mais e que tudo se perca.
Temo não chegar até o fim.Velha amiga, só eu sei.
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