Sou parte da cura e da doença.
Marolas em horizontes infinitos.
Tempestades em dias tranqüilos.
E sinto tanto sua falta.
A cada dia como nunca.
Noites longas de inconformismo.
Tarde ou nunca.
Mais uma vez.
E o tempo segue infalível.
Como sempre...
22 de jun. de 2008
CLOCKS - Coldplay
14 de mai. de 2008
SOBRE O TEMPO
FOTO: Site GoogleTantos marcos, tantas datas. Pouco tempo.
Anos de vida, tempos de Balzac.
A cada década, um novo animal e um pouco de peso.
No fim, um zoológico de exemplos.
...
Traiçoeiro, enganou-me quando pedi que fosse rápido.
Percebi que havia passado sem nada mudar.
Agora é irritantemente lento pois lhe peço.
E se de você preciso, sempre me deixa na mão.
...
A vida é assim, surpreendente em suas regras.
No primeiro momento um olhar.
Em um mês e um dia se ganham os bombons.
E seguimos no aguardo das próximas fases.
...
Rituais, bilhetes antigos e cenas de dias felizes.
Fotos, roupas de bebê e o primeiro brinquedo.
Hoje são apenas paisagens e abstratos.
Gavetas cheias de contas e dias ainda felizes.
...
Ai, ai meu pai eterno!
É tanto, que de tanto as vezes me perco.
São minutos e contagens regressivas, prazos.
Horas a fio e os ponteiros seguem sem parar.
...
As rugas, meus parcos cabelos brancos.
Tempo carrasco e anjo, que arranca e cura.
Faz de mim, por apenas um minuto, seu senhor.
Não fuja, pois não quero mais suas marcas.
CENAS DE UMA VIDA REAL
CENA DO FILME: Band à Part (The Outsiders) - Jean-Luc GodardAbaixo aos movimentos intelectualóides.
O homem ainda faz boas séries de televisão, há filmes de um amor simples e puro. Falam de flores de vez em quando. Os erros do passado são exemplos para um presente melhor. Meu cérebro precisa de descanso.
É bom rir da jocosa vida marital alheia, descobrir os bastidores de ambientes imaculados e chorar com os reencontros e as descobertas.
Assumir que a futilidade também engrandece.
Torcer pelo lado bom da força, divertir-se com as maldades inocentes de tipos bizarros, sofrer nos momentos de suspense e no final sentir um prazeroso alívio por saber que tudo não passou de pura ficção.
Ouvir uma música diferente e nova, agradar aos ouvidos. Ver e imaginar cenas, esquecer por meia ou uma hora, ou durante os intervalos, das agruras.
Quero ser prático. Quero sentir prazer mais vezes. Reservar um tempinho para emburrecer sem culpa. Iludir-me com a possível bonança depois da tempestade. Aquele casal perfeito continua perfeito e não acaba no final.
Gravar em minha memória e em breve repetir a cena dos três amigos correndo por entre as obras de arte de um famoso museu, sair sem pagar do restaurante mais caro da cidade e no final da noite tomar banho na fonte histórica.
Andar de bicicleta de braços abertos, dirigir um carro conversível vermelho em alta velocidade, encontrar os amigos na cafeteria com mesas na calçada, ter uma noite perfeita, torrar um milhão para ganhar outro.
Dar um beijo debaixo d’água, correr ao encontro de um abraço forte. Chorar a dor num colo amigo. Descobrir que o pouco, embora intenso, foi o suficiente pra se tornar inesquecível. Desistir da eternidade mil vezes somente para ter a sensação de um toque.
Fazer trilhas sonoras. Momentos musicados e duetos inesquecíveis.
Verei mais seriados, irei mais ao cinema.
Talvez seja preciso emburrecer um pouco e ficar adepto dos clichês.
Frases feitas e simples verdades.
Abaixo aos movimentos intelectualóides.
O homem ainda faz boas séries de televisão, há filmes de um amor simples e puro. Falam de flores de vez em quando. Os erros do passado são exemplos para um presente melhor. Meu cérebro precisa de descanso.
É bom rir da jocosa vida marital alheia, descobrir os bastidores de ambientes imaculados e chorar com os reencontros e as descobertas.
Assumir que a futilidade também engrandece.
Torcer pelo lado bom da força, divertir-se com as maldades inocentes de tipos bizarros, sofrer nos momentos de suspense e no final sentir um prazeroso alívio por saber que tudo não passou de pura ficção.
Ouvir uma música diferente e nova, agradar aos ouvidos. Ver e imaginar cenas, esquecer por meia ou uma hora, ou durante os intervalos, das agruras.
Quero ser prático. Quero sentir prazer mais vezes. Reservar um tempinho para emburrecer sem culpa. Iludir-me com a possível bonança depois da tempestade. Aquele casal perfeito continua perfeito e não acaba no final.
Gravar em minha memória e em breve repetir a cena dos três amigos correndo por entre as obras de arte de um famoso museu, sair sem pagar do restaurante mais caro da cidade e no final da noite tomar banho na fonte histórica.
Andar de bicicleta de braços abertos, dirigir um carro conversível vermelho em alta velocidade, encontrar os amigos na cafeteria com mesas na calçada, ter uma noite perfeita, torrar um milhão para ganhar outro.
Dar um beijo debaixo d’água, correr ao encontro de um abraço forte. Chorar a dor num colo amigo. Descobrir que o pouco, embora intenso, foi o suficiente pra se tornar inesquecível. Desistir da eternidade mil vezes somente para ter a sensação de um toque.
Fazer trilhas sonoras. Momentos musicados e duetos inesquecíveis.
Verei mais seriados, irei mais ao cinema.
Talvez seja preciso emburrecer um pouco e ficar adepto dos clichês.
Frases feitas e simples verdades.
Abaixo aos movimentos intelectualóides.
23 de abr. de 2008
CONSTRUÇÃO - Chico Buarque
De uma vez por todas, toda a construção foi desconstruída.
E pela última vez desistiu, foi pela última vez.
Último, tímido, plácido, mágico...sólido, lânguido.
O filho pródigo deixou de ser príncipe.
E dormiu no passeio úmido o seu melhor sono.
28 de mar. de 2008
CONFUSO CONFESSO
FOTO: J.Machado - Um dia ruim - 2008Quero ser direto, mas não posso, quero dizer algo e não consigo. Sou obrigado a obedecer a uma série de convenções sociais ridículas impostas por não sei quem. Tenho que acomodar tudo em entrelinhas, e num momento de devaneio, tenho a esperança de que alguém apareça e pergunte sobre maiores detalhes.
Sou condenado se quero duetos, penalizado se enalteço a solidão, excomungado se me digo infeliz ou quase feliz. O que é certo então? Se te ligo pra saber como está, porque temo em, de início, dizer que estou com saudades e que amo mais que tudo em minha vida.
Para que lugar foram todos os amigos? Onde estão? Somente eu sinto falta – tenho dúvidas se esta frase é uma afirmativa ou interrogativa. Sempre questionei se o autoconhecimento é a chave para o conhecimento de outrem. Isso tudo está muito difícil, está ficando chato.
Se for pobre diabo, talvez nem o seja tanto assim. Talvez reine absoluto em meu inferno astral. A farta colheita de agora foi plantada por minhas mãos, e como semeei ervas daninhas! E mais uma vez deixei uma tonelada de pérolas na pocilga. Podem nem ser, mas os porcos se fartam.
E a luxúria, os devaneios e o nirvana, que raros se tornaram. Minha montanha russa de tudo. Minhas instáveis emoções. Tentadora oferta que desintegra minha quietude. Minha fera e seu medo. Seu ódio, minha busca, meu nó na garganta. A vida não tem nada de bela hoje.
Confuso. Passei a não me sentir bem. Mal de alma, dor de coração enfim. O que está claro nos outros é o mistério em mim. Decifra este enigma ou devora-me a carne. Cada erro, uma chaga e não repito nunca mais.
Onde está o defeito e o motivo da repelência? Qual o porquê de terem cortado sua luz? E desse assombroso curto circuito, não ando sabendo de nada mais. Sento, escancaro os dentes e espero? Agir de que forma então? A máscara caiu e eu nem sabia que usava. Devia ser feia dado o susto.
Pois bem, as palavras mudaram, talvez não. O sentimento é o mesmo. Aos poucos, o que resta acaba, e os substitutos não mais agüentam o peso. As manhãs estão mais frescas, as noites mais frias, um lado continua vazio. Demoro mais a escrever. Mas prometo ainda falar dos dias melhores.
Sou condenado se quero duetos, penalizado se enalteço a solidão, excomungado se me digo infeliz ou quase feliz. O que é certo então? Se te ligo pra saber como está, porque temo em, de início, dizer que estou com saudades e que amo mais que tudo em minha vida.
Para que lugar foram todos os amigos? Onde estão? Somente eu sinto falta – tenho dúvidas se esta frase é uma afirmativa ou interrogativa. Sempre questionei se o autoconhecimento é a chave para o conhecimento de outrem. Isso tudo está muito difícil, está ficando chato.
Se for pobre diabo, talvez nem o seja tanto assim. Talvez reine absoluto em meu inferno astral. A farta colheita de agora foi plantada por minhas mãos, e como semeei ervas daninhas! E mais uma vez deixei uma tonelada de pérolas na pocilga. Podem nem ser, mas os porcos se fartam.
E a luxúria, os devaneios e o nirvana, que raros se tornaram. Minha montanha russa de tudo. Minhas instáveis emoções. Tentadora oferta que desintegra minha quietude. Minha fera e seu medo. Seu ódio, minha busca, meu nó na garganta. A vida não tem nada de bela hoje.
Confuso. Passei a não me sentir bem. Mal de alma, dor de coração enfim. O que está claro nos outros é o mistério em mim. Decifra este enigma ou devora-me a carne. Cada erro, uma chaga e não repito nunca mais.
Onde está o defeito e o motivo da repelência? Qual o porquê de terem cortado sua luz? E desse assombroso curto circuito, não ando sabendo de nada mais. Sento, escancaro os dentes e espero? Agir de que forma então? A máscara caiu e eu nem sabia que usava. Devia ser feia dado o susto.
Pois bem, as palavras mudaram, talvez não. O sentimento é o mesmo. Aos poucos, o que resta acaba, e os substitutos não mais agüentam o peso. As manhãs estão mais frescas, as noites mais frias, um lado continua vazio. Demoro mais a escrever. Mas prometo ainda falar dos dias melhores.
Coro ao corte de luz da velha casa de um amigo.
Assinar:
Postagens (Atom)