3 de jul. de 2008

PRA NÃO DIZEREM QUE NUNCA FALEI DE AMOR

Foto: Fogão a lenha - Site Google

Existe definição para o que é o amor?
Varia de pessoa para pessoa ou os velhos clichês são a verdade?
"Amar é" respeitar, ser sincero, tolerar diferenças.
Mas isso ocorre quando não se ama também! É confuso.
...
Pra amar é preciso sofrer? Então desisto, a vida cumpre esta função.
É algo tão fortemente bom, que é impossível sofrer? Melhor assim.
Mas se assim o for, nunca amei então ora!
Não lembro de já ter me sentido tão fortemente bem.
...
O amor acaba? É infinito ou só quando dura mesmo?
Só se ama uma vez e o resto é diversão, é paixão.
Ou solidão. Macabra condição.
Ou talvez nem tanto, se amar bem, senão amém.
...
Amar pai e mãe, irmãos, amigos. Isso é fácil.
Ou não. Talvez este amor acabe um dia mesmo.
Construir amor, amor a primeira vista, reamar.
Amar sem ser amado. Mais estudos precisam ser feitos.
...
Quando amamos usamos diminutivos e infantilizamos a voz?
Tornamo-nos atraentes quando somos idiotas e frágeis.
Qual o motivo dos apelidos carinhosos?
O nome da pessoa amada é irritante ou é vontade de se sentir único?
...
Tantas perguntas e respostas vagas.
O amor é incognição, é indefinição, é variável.
Igual barata, adapta-se até ao gelo.
Igual fogo, se não houver o combustível, apaga.
...
Descobri. Amor é manutenção!

2 de jul. de 2008

RELEMBRANÇAS

FOTO: Site Google

Enquanto segue, ele relembra os velhos tropeços, as agruras e as manhãs de gosto amargo, companheiras de outrora que voltaram à tona.
O pobre diabo descobriu - ou apenas relembrou - que esta é a sua essência. O veneno de sua alma, antes latente, agora lança sua toxicidade como nos velhos tempos.
É quase agosto.
Ah tardes frias, ocasos rosados e dias intermináveis! Madrugadas insones, excessos e fúria, calmarias mascaradas pela ressaca das marés.
Tantos e tão só. Velhos e tão distantes. Saudoso, nostálgico e melancólico. A inspiração desaparece no horizonte reto, agora escuro. O que há de novo é o antigo remixado, as frases de sempre e as encardidas sílabas agora invertidas.
Ordinário silêncio que lhe dói o peito. Felicidades efêmeras que, de tão curtas, não lhe causam sequer um esboço de sorriso de canto de boca. Ninguém sabe o que ele quer, dizem ser ingrato, dizem ser confuso, dizem ser apenas o cansaço.
Segue só, na companhia da solidão. Pensa em nada, pensa em tudo, esquece do presente e revive o passado. Futuros do pretérito.
Desconsiderado. Relembra que escrever lhe ameniza a dor de não se sabe o quê. A dor que não dói.
Mágoas em álcool, calmantes, dias cinzentos...refugiado em uma casca frágil.
Ele navega a deriva, num mar de águas profundas, longe da terra firme. Continuam os desejos e as ilusões.
São novos dias, velhos novos dias com as relembranças de um passado ainda presente.

22 de jun. de 2008

CLOCKS - Coldplay

Sou parte da cura e da doença.
Marolas em horizontes infinitos.
Tempestades em dias tranqüilos.
E sinto tanto sua falta.
A cada dia como nunca.
Noites longas de inconformismo.
Tarde ou nunca.
Mais uma vez.
E o tempo segue infalível.
Como sempre...

14 de mai. de 2008

SOBRE O TEMPO

FOTO: Site Google
Tantos marcos, tantas datas. Pouco tempo.
Anos de vida, tempos de Balzac.
A cada década, um novo animal e um pouco de peso.
No fim, um zoológico de exemplos.
...
Traiçoeiro, enganou-me quando pedi que fosse rápido.
Percebi que havia passado sem nada mudar.
Agora é irritantemente lento pois lhe peço.
E se de você preciso, sempre me deixa na mão.
...
A vida é assim, surpreendente em suas regras.
No primeiro momento um olhar.
Em um mês e um dia se ganham os bombons.
E seguimos no aguardo das próximas fases.
...
Rituais, bilhetes antigos e cenas de dias felizes.
Fotos, roupas de bebê e o primeiro brinquedo.
Hoje são apenas paisagens e abstratos.
Gavetas cheias de contas e dias ainda felizes.
...
Ai, ai meu pai eterno!
É tanto, que de tanto as vezes me perco.
São minutos e contagens regressivas, prazos.
Horas a fio e os ponteiros seguem sem parar.
...
As rugas, meus parcos cabelos brancos.
Tempo carrasco e anjo, que arranca e cura.
Faz de mim, por apenas um minuto, seu senhor.
Não fuja, pois não quero mais suas marcas.

CENAS DE UMA VIDA REAL

CENA DO FILME: Band à Part (The Outsiders) - Jean-Luc Godard

Abaixo aos movimentos intelectualóides.
O homem ainda faz boas séries de televisão, há filmes de um amor simples e puro. Falam de flores de vez em quando. Os erros do passado são exemplos para um presente melhor. Meu cérebro precisa de descanso.
É bom rir da jocosa vida marital alheia, descobrir os bastidores de ambientes imaculados e chorar com os reencontros e as descobertas.
Assumir que a futilidade também engrandece.
Torcer pelo lado bom da força, divertir-se com as maldades inocentes de tipos bizarros, sofrer nos momentos de suspense e no final sentir um prazeroso alívio por saber que tudo não passou de pura ficção.
Ouvir uma música diferente e nova, agradar aos ouvidos. Ver e imaginar cenas, esquecer por meia ou uma hora, ou durante os intervalos, das agruras.
Quero ser prático. Quero sentir prazer mais vezes. Reservar um tempinho para emburrecer sem culpa. Iludir-me com a possível bonança depois da tempestade. Aquele casal perfeito continua perfeito e não acaba no final.
Gravar em minha memória e em breve repetir a cena dos três amigos correndo por entre as obras de arte de um famoso museu, sair sem pagar do restaurante mais caro da cidade e no final da noite tomar banho na fonte histórica.
Andar de bicicleta de braços abertos, dirigir um carro conversível vermelho em alta velocidade, encontrar os amigos na cafeteria com mesas na calçada, ter uma noite perfeita, torrar um milhão para ganhar outro.
Dar um beijo debaixo d’água, correr ao encontro de um abraço forte. Chorar a dor num colo amigo. Descobrir que o pouco, embora intenso, foi o suficiente pra se tornar inesquecível. Desistir da eternidade mil vezes somente para ter a sensação de um toque.
Fazer trilhas sonoras. Momentos musicados e duetos inesquecíveis.
Verei mais seriados, irei mais ao cinema.
Talvez seja preciso emburrecer um pouco e ficar adepto dos clichês.
Frases feitas e simples verdades.
Abaixo aos movimentos intelectualóides.