19 de mar. de 2008

MINHA QUERIDA COSTUREIRINHA

FOTO: J.Machado - Carretéis - 2008

Ai minha costureirinha, como lutei por ti.
Todos os dias uma surpresa depois das perguntas de sempre.
Seu carinho, sua voz e seu jeito doce.
Tão forte em tão frágil e pequenino corpo.
...
E como lhe queria bem.
Adorava seu raro sorriso e seu jeito austero.
Seus surdos balbucios, mulher de poucas palavras.
E como sonhei insonemente em dar-lhe melhores dias.
...
E como intercedi por ti.
E como implorei, sofria contigo, com suas chagas.
Ai minha doce mulher, por ti tanto me inquietei.
E que ousadia minha lhe chamar de minha.
...
Mas era minha.
A mais querida, a preferida.
A que me ouvia apesar de minha pouca importância.
Mas só pra ti, eu me sentia o maior de todos.
...
Agora foste pra longe dos meus olhos.
Levada por um pássaro com asas de luz.
Costuras agora o véu da alma no manto do infinito.
E saudoso agora estou da minha querida costureirinha.

Homenagem à minha costureirinha!

13 de mar. de 2008

PALAVRAS DERIVADAS

FOTO E EFEITO: J.Machado - Teclado - 2008

Meias palavras, palavras inteiras.
Uma palavra e meia, sufixada.
Apaixonadamente.
Derivadas de momentos.
Inexatas e sem rima.
Verdade, diário, sempre, quase.
...
Perdido em festa.
Substitutos incompletos.
Prisão nas casinhas coloridas.
...
Um suspiro por vez.
Silêncio do olhar.
Ânsias e respostas.
...
Exclamações de sobra.
Interrogações no vácuo.
Incompreensível com muitas reticências.
...
Saudade dos mistérios navegantes.
Cego pela luz da lua.
Incômodo pela claridade dos subjuntivos.
Indecências da euforia ao torpor.
...
Dos caros amigos:
As casas.
O bar.
A vida.
As visões
Os números
...
Do leitor:
Estranho, doce, rebuscado.
Melancólico, insano.
Mensagens subliminares.
É demais pra mim.
...
De mim:
Escrevo sobre desejos.
Textos ainda longos.
...
PS:
Sempre haverá PS's.

9 de mar. de 2008

REVISÃO

FOTO: J.Machado - Espinhos - 2008

Já ouvi, quantas vezes chorei e me perdi.
Experimentei calmantes, calorias, fugas e desejos.
Acomodei-me por vezes, esperei. Fui pra longe buscar.
Agora me disseram para dar um basta em tudo, um ponto final.
Falaram pra impor, nem que seja ao menos um pouco de respeito.
Desviar o olhar para o meu centro, o meu umbigo. Abrir bem meus olhos.
...
Querem que eu volte a ser como o de antes.
Pediram o endurecimento de um coração em degelo.
Saudosismo de um eu passado que era mais conveniente.
Na verdade, não sentir saudade. É menos doloroso apenas lembrar.
Medir as palavras, falar desmedidamente e controlar mais as emoções.
E variar, mudar a rotina, o tema. Colorir e cantar pra espantar o que há de ruim.
...
Quero aprender de forma indolor e rápida.
Não repetir erros e ter imunidade aos espinhos.
Prometer fazer das segundas, sábados de tarde ensolarada.
Pintar de vermelho, azul e amarelo a tela coberta com o velho cinza.
Ou então apreciar melhor este velho e companheiro cinza e aproveitar.
Tentar entender de vez o romantismo e talvez fazer bem melhor do meu jeito.
...
Parar de apenas querer fugir.
Ir para algum lugar e tentar fixar raiz.
Decidir enfim onde devo ficar. Onde devo parar.
Descobrir o tão velho sonhado meio termo, o autocontrole.
Não mais me chocar em extremos. Aceitar que eles apenas existem.
Não querer encontrar explicações coerentes para todos os acontecimentos.
...
Não desejar tanto.
Não me irritar e não me encantar.
O medo é desafio. A dúvida, um estímulo.
Cura e realização, a rotina. Rosas e carambolas, um doce passado.
Nas bandas de lá ou nas de cá, com os irmãos e o vento, um presente feliz.
Colo de mãe, o sonho. Sem receio de ser repetitivo. E no ponto final, seu sorriso.

3 de mar. de 2008

A MENINA DAS TRÊS CASAS

FOTO: J.Machado - Pela Persiana - 2008

Foi por ela que um dia eu lhe vi.
Na verdade, fui eu quem lhe chamou.
E alguns dias depois você me viu.
Ou olhou, não sei bem, respondeu-me.
...
Foi logo depois de eu abrir a persiana.
Seu jeitinho doce, palavras cor de mel.
Fez-me ver que a vida é boa e merecida.
Que nada é tão tragédia assim.
...
Tens nome de menina e três casas.
O sino a tilintar e música doce ao fundo.
Imagens de sol, céu azul e o mar do sul.
E o olhar nas muitas entrelinhas.
...
Disse-me que a esperança ainda vive.
Que ainda voa bem lá no alto.
Sobreviveu às intempéries e aos vícios.
E que tudo vale muito a pena.
...
Ela existe sim, bem longe, bem perto.
A menina de palavras doces e de três casas.
Visito-a sempre que abro a janela.
Só para ter um sorriso de orelhas.
Um presente de aniversário!

1 de mar. de 2008

SLIPPING AWAY - Moby

"Open to everything happy and sad.
Seeing the good when it's all going bad"