
Ela se levanta, olha pela janela de seu décimo andar e por alguns momentos sente-se segura. Verifica todos os trincos das portas. Pelo olho mágico vê apenas um corredor deserto.
Ainda resta muito tempo para dormir e a menina, agora mais calma, deita-se em sua cama. O sono vem fácil. No aconchego de seus alvos lençóis, adormece mais uma vez. E numa trilha estreita, agora a menina se vê. Corre desesperada, sem saber de que e pra onde. Segundos depois ela cai. Acorda em queda livre e ouve batidas surdas em sua porta. Ela se levanta e no breu se dirige à porta. Seu coração lhe sai pela boca. Mais uma vez pelo olho mágico avista um corredor vazio. Maldito seja quem a acordou pela segunda vez.
Depois de se acalmar, ela volta pro seu quarto. Desiste de pensar em porquês e dorme. Sonha que está presa numa cadeira, imóvel. Sente um medo terrível e uma vontade imensa de que tudo acabe rápido. O sonho acaba em reticências.
Um tempo depois, ela retira o bilhete de seu bolso, relê, e uma lágrima furtiva borra a escrita. A lágrima era sua. Tentou controlar suas emoções e como era de se esperar, não conseguiu. Temeu que outros vissem seu choro. Cabisbaixa e com um sorriso na alma, a menina seguiu seu caminho.
E como lhe foi desejado, não se sabe por quem, a menina teve um dia bom e com bocejos.



